Ao longo de mais de 30 anos como advogada e empresária, tive o privilégio de trabalhar com diversos empreendedores. Nesse percurso, percebi que administrar um negócio em conjunto com familiares é, sem dúvidas, uma das experiências mais desafiadoras e recompensadoras que alguém pode vivenciar. No entanto, essa jornada não é isenta de sacrifícios emocionais. Gerir uma empresa onde os laços de sangue se entrelaçam com as responsabilidades financeiras e organizacionais traz uma carga mental que poucos imaginam ao começar.
A sobrecarga de funções em empresas familiares é um desafio constante. Costumo dizer que, nesses ambientes, a linha entre as relações pessoais e profissionais é tênue e muitas vezes inexistente. No entanto, essa mistura pode resultar em uma pressão insustentável, com membros da família assumindo funções para as quais talvez não estejam preparados, simplesmente porque “é o que precisa ser feito”. A falta de delimitação clara de responsabilidades, somada à necessidade de agradar e manter a harmonia familiar, pode transformar a administração de uma empresa em um fardo emocional pesado.
…membros da família assumindo funções para as quais talvez não estejam preparados, simplesmente porque “é o que precisa ser feito”
Do ponto de vista jurídico, é essencial que as empresas familiares tenham contratos bem delineados e um acordo societário que proteja todos os envolvidos. Ao longo dos anos, vi muitas famílias se desfazerem em litígios que poderiam ter sido evitados com uma orientação adequada desde o início. No entanto, é importante lembrar que o papel do direito não é apenas proteger o patrimônio, mas também salvaguardar as relações. Um acordo bem estruturado pode aliviar a pressão ao fornecer um guia claro sobre o que é esperado de cada membro da família, evitando mal-entendidos que podem escalar para conflitos maiores.
Minha maior recomendação para quem vive essa realidade é: cuide de sua saúde mental e estabeleça limites. O desejo de ver o negócio da família prosperar não pode vir às custas do seu bem-estar. Delimitar funções, procurar aconselhamento jurídico e, acima de tudo, saber quando se afastar para cuidar de si mesma são atitudes fundamentais. A empresa é importante, mas sem você, ela não existe. Portanto, cuide de si para que possa cuidar do que construiu com tanto esforço. Lembre-se: sua saúde emocional é um ativo tão valioso quanto qualquer outro dentro da sua empresa.
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